desenho e design

Esboço cotado

O esboço cotado é suporte de estudo e está associado a uma estratégia de levantamento formal e dimensional de uma dada realidade. Frequentemente utilizado na área da arquitectura, do design e da engenharia, visa a recolha de dados para estudo e decisão no domínio do projecto, ou, simplesmente, ajudar à constituição dos elementos necessários à representação objectiva.
O esboço é uma abordagem baseada na sobriedade de recursos e meios, quanto à simplicidade dos elementos aplicados e seguindo a natureza de síntese que tanto o caracteriza. O ponto e o segmento constituem esse conjunto de variáveis, sendo a direcção, a posição e a intensidade do tratamento gráfico adoptado, as características formadoras por excelência. Uma fina variabilidade dos elemento referidos, torna possível entre o implícito e o explícito, qualquer representação do real ou imaginada.
Como já deve ter adivinhado, no esboço cotado apenas utilizamos riscador, papel e fita métrica.

Linha – elemento conceptual fundamental > ordena e estrutura

12.jpg

Intensidade – gráfica e expressiva > sensação de proximidade e presença material.
Cotagem – a dimensão escrita enquanto conceptualização da realidade

21.jpg

Nivelamento versus Acentuação – A partir do primeiro enuncia-se e, por fim, acentuando resolve-se.

31.jpg

Estratégias elementares em ver e transformar

Linha – grelha de relação > escala e proporção – alteração e deformação

De modo implícito, a linha ao dividir progressivamente o espaço visual, permite uma organização do suporte de desenho, a partir da sua representação explicíta. Bastará imaginar uma quadrícula projectada sobre uma forma e representá-la no papel. Os pontos notáveis (1) resultantes da intersecção entre as duas entidades – quadrícula e forma – podem facilmente ser projectados. Em virtude da relação criada entre grelha (quadrícula) e forma, quaisquer alterações introduzidas na primeira subordinam a transformação da segunda. Assim, a grelha de relação obtida a partir da linha é um referencial de grande utilidade para ver, analisar, representar e interpretar a forma e o espaço.

(1) Aqui assinalados por círculos amarelos

4.jpg

Linha – translação e formação > superfície, volumetria

Outro princípio fundamental, traduz-se na procura da simplicidade original que baseia qualquer forma ou conjunto. Antes de representar um cilindro, será bem mais fácil, entender que a origem deste volume está na base / círculo e o resultado é obtido segundo uma translação que transporta a imagem da base para um nível relativo mais distante. Apenas dois segmentos são suficientes para expressar essa mobilidade. Mesmo para as formas mais complexas, poderemos encontrar na translação um paradigma elementar de formalização.

5.jpg

Linha – rotação e formação > superfície, volumetria e transformação

A rotação é um dos princípios geradores fundamentais e à luz de uma linguagem própria no desenho, transporta
expressivamente a sugestão do movimento e da sua plasticidade.

6.jpg

Deverá considerar os elementos anteriores como fundamentais nas acções de interpretação visual e no desenvolvimento de uma expressão gráfica adequada ao seu sentido plástico do espaço e da forma.

Ver, multiplicar e anotar
No sistema europeu de vistas a quantidade de informação sobre uma determinada forma é multiplicada com a representação de mais projecções. Um contexto não apreendido totalmente a partir de uma vista e do respectivo desenho, poderá complementar-se através de mais vistas e desenhos, seguindo a ordem estabelecida das projecções sobre o diedro de referência (1). Planificando ou rebatendo os elementos projectados no interior do cubo envolvente (2), alcança-se um resultado prático designado por representação no sistema de vistas. O método europeu de acordo com a norma em uso por todos os países da União segue a seguinte sequência projectiva das vistas: A-Frente (Alçado Principal ou Anterior) | B-Superior (Cima e ou Planta | C-Lat.Esquerda (Alçado Lat. Esquerdo) | D-Lat. Direita (Alçado Lat. Direito) | E-Inferior | F-Detrás (Alçado Posterior) (3).

7.jpg

(1) Desenvolvimento teórico – Projecções ortogonais | Sistema diédrico ou método do cubo envolvente

8.jpg

(2) Transição – Múltiplos rebatimentos sobre o plano de representação

9.jpg

(3) Final prático – Vistas – Sistema Europeu

10.jpg

Cotagem ou anotação de dimensões – Casos particulares

Sistemas Axonométricos
Também conhecidos sob a designação genérica de “Perspectivas Rápidas” englobam as seguintes perspectivas axonométricas:
Isometria | Dimetria | Trimetria
Vide – capítulo dedicado à perspectiva rápida in – L. Veiga da Cunha, Desenho Técnico, FCG
Tratamento gráfico – Rendering
Tratando-se a perspectiva de um sistema de aproximação à realidade volumétrica e formal das formas e do espaço, a expressão gráfica visa um paralelo mimético, segundo a natureza material do tema desenhado (entendido como rendering no caso dos elaboradores de realidade virtual – meios computadorizados).
Para quem nunca desenhou uma isometria aconselha-se a visita ao site:
http://illuminations.nctm.org/ActivityDetail.aspx?id=125

111.jpg

122.jpg

Tratamento gráfico – Rendering
Tratando-se a perspectiva de um sistema de aproximação à realidade volumétrica e formal das formas e do espaço, a expressão gráfica visa um paralelo mimético, segundo a natureza material do tema desenhado (entendido como rendering no caso dos elaboradores de realidade virtual – meios computadorizados).

13.jpg

Caso Tipo – Levantamento de uma moradia
Através deste exemplo pode analisar uma estratégia para o desenho de apontamento das características
gerais e específicas, parâmetros dimensionais e arquitectónicos de uma moradia.
Bibliografia:
Prenzel, Rudolf
Diseño y técnicas de la representación
en arquitectura
GG, Editorial Gustavo Gili, S.A. Barcelona -1980

Esboço de uma planta

Designa o piso desenhado. Definição da configuração geral. Precisão dos valores angulares

402.jpg

Definição da configuração estrutural externa.

412.jpg
Definição da configuração estrutural interna.

421.jpg
Acentuação gráfica dos elementos finais.

431.jpg

I fase de cotagem
Deve cotar os elementos desenhados à direita e abaixo, seguindo a regra de lançamento das dimensões do geral para o pormenor, sempre paralelamente à forma representada e sem interromper cotagens já lançadas.

443.jpg

II fase de cotagem
Deve cotar os elementos desenhados à esquerda e acima, seguindo a regra de lançamento das dimensões do geral para o pormenor e sempre paralelamente à forma representada, completando com a cotagem dos elementos no interior da forma.

45.jpg

Designa o piso desenhado, repetindo os procedimentos anteriormente descritos.

461.jpg

Desenho do alçado principal com cotagem e tradução gráfica dos materiais aplicados, por variação tonal dos valores luz e sombra – matéria e volume. Certas vistas podem ser deduzidas das anteriores como o caso da vista superior ou cobertura.

47.jpg

481.jpg

Desenhe os alçados evidentes e necessários ao propósito de recolha da máxima informação para a fase em que irá utilizar o Revitt.

49.jpg

Para reter uma melhor noção do objecto, represente-o em perspectiva rápida, indicando alguma informação visual sobre as características da morfologia envolvente.

50.jpg

Trabalho prático

6 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Intro « desenho e design said, on 15 de Março de 2008 at 1:39

    [...] Esboço cotado [...]

  2. mt@ said, on 31 de Julho de 2008 at 14:46

    O Método de Projecção apresentado neste site não é Europeu mas sim Americano.

  3. Celso Caires said, on 2 de Agosto de 2008 at 22:26

    Caro mt@, lamento discordar mas o método apresentado neste site é efectivamente o europeu, em que os planos de projecção respectivos ficam além do objecto [observador | objecto | plano].
    Para mais informação pode consultar L.Veiga da Cunha em DESENHO TÉCNICO, FCG. Capítulo dedicado às Projecções Ortogonais, Normas de Representação de Projecções Ortogonais, Método Europeu.
    No Método Americano os planos de projecção ficam entre o observador e o objecto [observador | plano | objecto]. A Planta está representada por cima da Vista de Frente, assim como as restantes vistas distribuem-se com a seguinte ordem:
    Vista Lateral Esquerda (ou Alçado Lateral Esquerdo) representada à esquerda, Vista Direita (ou Alçado Lateral Direito) representada à direita, Vista por debaixo representada por baixo, Vista por detrás (Alçado Posterior) representada à direita ou à esquerda como assim refere a norma NP-327.
    Os meus cumprimentos e contando sempre com a sua participação.

  4. Shelcia said, on 7 de Abril de 2012 at 10:27

    Eu gostaria de saber se ao colocar as medidas já cotadas colocamos em cm ou mm ?

    • Celso Caires said, on 9 de Abril de 2012 at 10:05

      Olá Shelcia, quanto à sua questão é importante considerar que as cotas representam sempre dimensões reais do objecto e não dependem da escala em que o desenho está executado. Quanto à unidade a considerar, esta depende da dimensão do objecto representado. Na cotagem dos desenhos de um terreno ou de uma casa é natural escolher o metro como unidades a indicar, no caso de um relógio então será o milímetro. Em qualquer dos casos as unidades escolhidas estão indicadas na legenda que complementa cada desenho.
      Um abraço,

  5. simiao magule said, on 5 de Outubro de 2012 at 9:20

    gostei.esta perfeito ou aproximado.é me util


Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 43 outros seguidores

%d bloggers like this: