desenho e design

Sinopses

Ponto, Linha e Plano

Wassily Kandisky

“ O ponto geométrico é um ser invisível. Deve, portanto, ser definido como imaterial. Do ponto de vista material, o ponto compara-se ao Zero.

Mas este zero esconde diferentes propriedades “humanas”. Segundo a nossa concepção, este zero – o ponto geométrico – evoca o laconismo absoluto, ou seja, a maior retenção mas, no entanto fala.

Assim, o ponto geométrico é, segundo a nossa concepção, a última e única união do silêncio e da palavra.

Eis por que o ponto geométrico encontrou a sua forma material em primeiro lugar na escrita – ele pertence à linguagem e significa o silêncio.”

in p.35 Ponto, Linha, Plano [1926]

Publicado em 1923, com o objectivo de iniciar uma investigação “mais científica” sobre a pintura e os seus elementos, com o tempo converteu-se na base das artes aplicadas (pelo menos para o design gráfico) ao mostrar os elementos minímos necessários para a organização visual: ponto, linha e plano.

Este livro desenvolve-se segundo a sequência lógica do elemento mais sensível, o ponto, ao mais complexo o plano. É de destacar a grande capacidade de Wassily Kandisky para desenvolver uma série de conceitos que aparentemente podem parecer muito simples e óbvios, mas que ao ser escritos, descritos e analisados clarificam a linguagem visual.

O Ponto

O que é o ponto? Em resposta o autor define dois tipos de ponto:

O ponto geométrico (o ponto enquanto conceito) que é invível “e cuja forma material na escrita, pertence à linguagem e seu significado é o silêncio”.

O ponto físico, material “que resulta do choque do riscador com o suporte”.

O ponto como unidade mínima visual no interior de uma organização, tem forma, que pode ser minima e irregular ou perfeitamente regular. “O ponto é como um mundo pequeno mais ou menos desprendido por todos os lados. A sua fusão com o que o rodeia é tão miníma que quando a sua regularidade se torna uma redundância, poder-se-à dizer que não existe.”

O ponto existe em todas as artes, como na música, como centro ou local de atenção na arquitectura e na escultura, como os passos na própria dança.

A Linha

“A linha geométrica por definição é uma entidade invísivel. É o percurso anotado que um ponto deixa ao mover-se e por consequência resulta desse fenómeno. Com essa salta-se de uma situação estática para uma dinâmica”. Existem três tipos de linhas:

Linha recta. “Quando uma força exterior desloca o ponto em qualquer direcção, gera-se o primeiro tipo de linha na qual a direcção permanece invariável e tende a prolongar-se indefinidamente. Esta é a recta”. Da qual se retiram três classificações:

Recta horizontal: “A percepção humana corresponde à linha ou ao plano sobre o qual o homem se ergue ou se desloca. É pois a base protectora, fria, que pode ser continuada em distintas direcções sobre o plano. O tom básico da linha horizontal é a sua frieza e o seu afastamento.”

Recta vertical: “A linha oposta totalmente à horizontal, que forma com essa um ângulo recto. Nesta a altura substitue o afastamento e o calor o frio.”

Recta diagonal: “A diagonal é a recta que esquematicamente transforma-se em ângulos iguais relativamente às anteriores. É uma reunião equivalente de frio e calor”.

Linha curva. “Quando um ponto recebe simultaneamente a acções de duas forças, de tal modo que a pressâo de uma vá superando a outra de modo constante e invariável, surge uma linha curva”.

A recta e a curva constituem um par de linhas fundamentalmente antagónicas.

Linha composta. Esta é a combinação das anteriores.

O Plano

“Como plano básico entende-se a superfície material que irá receber o conteúdo de uma obra. O plano básico esquemático está limitado por 2 linhas horizontais e 2 verticais adquirindo assim em relação ao ambiente que o rodeia, uma entidade independente.”

A Vida das Formas

Henri Foccilon

“Parece estarmos em presença de uma fase terminal. Dado que os mundos imaginários do espaço ornamental, do espaço cénico e do cartográfico se uniram ao espaço do mundo real, a vida das formas deveria manifestar-se, a partir de agora, segundo regras constantes. Mas não é isso que se passa. Em primeiro lugar, a perspectiva, deleitando-se consigo mesma, vai contra os seus próprios objectivos: através do trompe l’oeil destrói a arquitectura, eliminando a barreira dos tectos com a explosão das apoteoses; torna o espaço ilimitado, criando um infinito falso e uma imensidão ilusória, alarga indefinidamente os limites da visão e ultrapassa o horizonte do universo. Da mesma forma, o princípio das metamorfoses é levado até ao extremo das suas deduções, não deixando de provocar relações inéditas de forma e espaço. Rembrandt define-as pela luz: em redor de um ponto brilhante, contrói círculos, espirais, rodas de fogo, em luzes de noite transparente. As combinações de El Greco evocam as dos escultores românicos. Para Turner, o mundo é um acordo instável de fluidos, a forma é clarão instável, mancha incerta num universo difícil de captar. De maneira semelhante, um exame, mesmo rápido, das diversas concepções de espaço, mostra-nos que a vida das formas não se elabora segundo dados fixos, constantes e universalmente inteligíveis, mas cria diversas geometrias, no interior da própria geometria, da mesma forma que cria as matérias de que necessita.”

Focillon, Henri in p.52 A Vida Das Formas [1943]

Principles of Bi and Tridimensional Design

Wucius Wong

Elementos conceptuais

Os elementos conceptuais são invisíveis. Não existem senão na via do conceito e são os seguintes: ponto, linha, plano e volume.

Elementos visuais

Quando os elementos conceptuais são tornados visíveis dão lugar aos elementos visuais:

Configuração, dimensão, cor e textura.

Elementos de relação

Estes elementos governam o papel e a inter-relação das formas num desenho. São: direcção, posição, espaço e gravidade.

Elementos práticos

São os elementos que dão sentido e contexto ao desenho. São três unicamente: representação, significado e função.

Em continuação o autor desenvolve uma série de conceitos que se aplicam à organização de um desenho bidimensional, dos quais apenas referimos os mais representativos.

Forma

Os elementos conceptuais não são visíveis. Assim, o ponto, a linha, o plano ou o volume, quando são visíveis convertem-se numa forma. Um ponto sobre o papel, por pequeno que seja, deve possuir uma configuração, uma dimensão, cor e textura se se deseja visualizável.

Repetição

É o método mais simples para o desenho. As colunas e as janelas num conjunto arquitectónico, os pés de um móvel, são exemplos óbvios de repetição.

A repetição de móduos transmite uma imediata sensação de harmonia. Cada módulo que se repete é como o compasso de um determinado ritmo.

Estrutura

Quase todos os desenhos têm uma estrutura. A estrutura deve governar a posição das formas. A estrutura, regra geral, impõe uma ordem e predetermina as relações internas das formas no desenho. Podemos criar um desenho sem ter pensado conscientemente na sua estrutura, mas a estrutura estará sempre presente em qualquer organização caótica ou racionalizada.

Contraste

O contraste ocorre sempre, ainda que a sua presença possa ser mais ou menos notada. O contraste existe quando uma forma está rodeada por espaço branco. Existe constraste quando uma linha recta cruza-se com um acurva. Ou quando coexistem direcções antagónicas (vertical e horizontal).

Aspectos das formas bidimensionais

A Forma

Forma é tudo o que se pode ver – tudo o que tem configuração, dimensão, cor e textura – ocupa espaço, sinaliza uma posição e indica uma direcção. Uma forma criada, pode basear-se na realidade – reconhecível – ou ser abstracta – irreconhecível. Uma forma pode ser criada com o objectivo de transmitir um significado ou uma mensagem, ou pode ser meramente decorativa. Pode ser simples ou complexa, harmoniosa ou discordante. Em sentido estrito, as formas são contornos compactos e positivos que ocupam um espaço e diferenciam-se do fundo.

A Forma Bidimensional

Os textos, desenhos, pinturas, decorações, projectos e garatujas humanas têm contornos e cores que podem perceber-se como formas bidimensionais. As superfícies naturais que têm textura e desenhos por vezes dão origem à percepção da bidimensionalidade. Na generalidade, podemos considerá-las como uma criação humana para a comunicação de ideias ou para o registo de experiências, quanto à expressão de sentimentos e emoções, poderemos associá-las à decoração de superfícies planas e à transmissão de visões artísticas. As formas bidimensionais são constituídas por pontos, linhas e planos sobre superfícies.

A visualização da forma

Quando uma figura dá origina uma forma sobre uma superfície bidimensional, esta poderá ser representada de diferentes modos sem alterar sem alteração da sua dimensão, cor, posição e direcção. Visualizar uma forma requere a utilização de pontos, linhas e planos que descrevem a sua configuração, características de superfície e demais detalhes. Cada método ou tratamento produzem um resultado visual diferente.

O autor apresenta os seguintes métodos para a visualização da forma:

Visualização através de linhas.

Visualização através de superfícies lisas.

Visualização através de linhas e superfícies planas.

Visualização através de pontos.

Visualização através de textura.

Tipos de forma

As formas podem classificar-se genericamente segundo o seu conteúdo específico. Uma forma que contenha um conteúdo identificável estabelece uma comunicação com os observadores para além de um plano puramente visual. Estas designam-se por formas figurativas. Quando uma forma não apresenta um tema identificável, considera-se como não figurativa ou abstracta.

As formas figurativas subdividem-se (segundo o tema apresentado) em :

Formas naturais que são figuras representando objectos ou realidades reconhecíveis no nosso ambiente natural.

Formas artificiais que são derivadas de objectos criados pelo homem.

Formas verbais que são símbolos, e letras que representam a linguagem.

Desenho tridimensional

O desenho tridimensional procura estabelecer uma harmonia e uma ordem visual, ou gerar uma excitação visual dotada de um propósito. Mais complexo que o desenho bidimensional porque devem considerar-se simultaneamente várias perspectivas segundo diferentes pontos de vista e porque a complexidade das relações espaciais não podem ser facilmente visualizadas sobre o papel. Contudo é mais tangível com a realidade espacial porque opera-se com formas e materiais pertencentes ao nosso universo dimensional.

Direcções Primárias

Para começar a pensar nas formas tridimensionais devemos antes de tudo conhecer as três direcções primárias: largura, comprimento e profundidade. Para obter as três dimensões de qualquer objecto devemos tomar as suas medidas segundo as direcções vertical, horizontal e transversal.

As três direcções primárias são assim uma direcção vertical que vai de cima para baixo, uma horizontal que vai da esquerda para a direita e uma transversal da frente para trás.

Elementos Conceptuais

Os elementos conceptuais de um desenho tridimensional não diferem grandemente de um desenho a duas dimensões e estes são o ponto, a linha, o plano e o volume. O último é o resultado do movimento de um plano, segundo uma determinada direcção.

Elementos visuais

As formas tridimensionais podem ser visualizadas a partir de ângulos distintos e sobre diferentes condições de iluminação. Portanto, devemos considerar os seguintes elementos que são independentes de tais situações:

Configuração – A configuração é a aparência externa de uma forma e a identificação principal da sua tipologia

Dimensão – A dimensão não é só um elemento de referência absoluta, mas também, relativa à ordem grandeza, permitindo estabelecer relações de comparação formal em termos de largura, comprimento e profundidade.

Cor – Agrupando os parâmetros de saturação, brilho e croma, é um elemento de interacção lumínica e regula o nível de diferenciação da forma relativamente ao espaço negativo e a demais elementos exteriores.

Textura – Refere-se às características superficiais do material utilizado no desenho. Pode ser lisa, rugosa, mate ou brilhante. Pode ser uma micro textura que acentue a presentação bidimensional da superfície ou uma textura mais marcada pela presença de rugosidade, transmitindo por analogia a sensação de presença tridimensional.

Elementos de Relação

Os elementos de relação são: posição, espaço e gravidade.

Elementos constructivos

Vértice – Quando diversos planos confluem num ponto conceptual, o resultado é um vértice. Os vértices podem ser projectados exterior ou interiormente.

Aresta – Quando diversos planos confluem numa lihna conceptual, o resultado é uma aresta. As arestas também podem ser projectados exterior ou interiormente.

Face – Se um conjunto de planos conceptuais é fisicamente presente converte-se numa superfície. As suas faces são superfícies externas que limitam um volume.

Forma e Estrutura

Forma - O termo forma é facilmente confundido com o conceito de figura. Quando representada sobre uma superfície, a forma tridimensional pode assumir múltiplas figuras bidimensionais. Isto supõe que a figura é somente um aspecto parcial da forma. Uma forma em rotação revela figuras diferentes em virtude da relação projectiva visual, que por si omite parte da configuração real da forma.

Estrutura – A estrutura governa o modo como uma forma é construída e distribuída na relação espacial do quadro visual. É a organização geral, segundo princípios conceptuais, dos elementos visuais que caracterizam a forma. A aparência externa da forma pode ser complexa, mas a sua estrutura pode ser relativamente simples. Por vezes a estrutura interna de uma forma pode ser de difícil compreensão e depois de formalizada (tratada visualmente), revela-se no sentido de um maior entendimento e fruição.

Pensamento Visual

Rudolph Arnheim

Rudolf Arnheim defende o princípio da arte como uma forma de razão onde a percepção e o pensamento mantêm uma relação indissolúvel. Segundo esta acepção, o criador artístico pensa com os sentidos, formando um elo permanente entre o pensamento e a percepção, que se torna transmissível ao público através da arte. Esta abordagem pretende explicar o processo mediante o qual o indíviduo percebe o seu ambiente e o seu tempo com base na interacção dos processos psicofisiológicos da percepção em simbiose com as estruturas internas de pensamento. A separação destes processos é um artifício que só nos poderá conduzir a uma interpretação deficiente do homem moderno e da sua interpretação do mundo.

Esta posição conduz o autor a investigar temas relativos à psicologia e filosofia, à arte e à ciência. Depreende-se que a arte encontra-se em toda a parte e sempre quando seja percebida sem convertê-la num elemento isolado e reservado aos especialistas, já que isto ocasionaria o regresso da ideia de que a estética está separada da ciência.

O acto de pensar tem uma razão produtiva que ao gerar uma forma a partir de uma imagem percepcionada nos conduz irremediavelmente às bases do pensamento humano onde as ideias são derivadas do percebido, compreendido.

Tendo em conta os elementos que intervêm na formação de uma imagem, como sejam a abstracção, no sentido da recriação de uma percepção; os símbolos como elementos susceptíveis de ser lidos por uma comunidade pensante; os signos como elementos de criação estética e, finalmente, a educação como elemento de onde os elementos adquirem forma a partir da carga cultural predeterminada no indíviduo, o conjunto de elementos mencionados só adquirem um sentido se aplicados e colocados na prática.

A percepção não é somente uma colecção de informações, qualidades, objectos e acontecimentos, já que, em síntese, desempenha um papel importante no armazenamento dos dados processados, proporcionando a matéria prima ao pensamento para a estruturação das ideias. Em consequência, correcto ou incorrecto deram lugar a novos critérios mais adequados, como a harmonia, o equilíbrio, a variedade, a unidade e os objectivos defendidos.

2 Respostas

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  1. Ana Yasmin Farias Aguiar said, on 10 de Março de 2011 at 23:39

    Adorei este texto !!! É o trabalho perfeito que eu estou pesquisando pra escola !! Sem ofensa, mas vou colar de você !!!

    • Celso Caires said, on 11 de Março de 2011 at 2:22

      Cara Ana Yasmin obrigado pelo seu comentário. Pode usar, colando também a origem.
      Saudações


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