desenho e design

Desenho I

Síntese do documento programático, orientador da leccionação da disciplina Desenho I, do 1º ano do Curso de Design da UMa.

@ Celso Caires

Esboço @ Celso Caires | foto @ Filipe Gomes

Princípios e competências a desenvolver

A cadeira de Desenho I congrega dois aspectos fundamentais; o primeiro entende o desenho prioritariamente centrado na criação e na expressão artística; o segundo, enquanto linguagem de excelência, onde se inscreve o projecto e a inovação, comunica e ordena resultados, a alcançar em modos e formalizações diversas.
O acto de desenhar é quase tão natural como o impulso em falar ou comunicar. No princípio, aprende-se a falar a partir da prática, através de tentativa e erro, experimentando os recursos da comunicação. Os inúmeros erros que se cometem reforçam e estabelecem a aprendizagem – sem esta  fase não é possível explorar novos territórios, conquistando os domínios da comunicação e da expressão.

Liberdade > Criação

Direcção > Organizar a sua própria aprendizagem

Autonomia > ver | avaliar | riscar | descrever | interpretar | criar | significar

Critérios de avaliação

Congruência nos ensaios e respostas face às propostas apresentadas e construídas.

Originalidade

Adequação de meios, recursos e discurso gráfico.

Programa resumido

Princípios e competências a desenvolver

Liberdade > Criação
Uma abordagem possível na aprendizagem ou desenvolvimento pessoal em desenho, pode centrar-se ao lado do artíficio e da técnica, ou da mimetização estética e da concepção, seguindo a cópia a partir de desenhos dos grandes mestre, como foi comum no ensino artístico  até ao primeiro quartel do século XX.
Para além desta prática, hoje em dia, pouco corrente, mais direcções podem ser introduzidas, pontuando outras atitudes e modos de ver e fazer, em harmonia com os critérios e vontades de cada um, em pleno de liberdade e criação.
Acima de tudo, qualquer que seja a orientação, o caminho é sempre nosso, a vontade em progredir legitima a escolha da estratégia para mais conhecer e não o contrário. O erro convertido progressivamente em medo, a ausência de auto-crítica válida, por introversão ou excesso de narcisismo, são alguns comportamentos que tentaremos reduzir. Em desenho, corpo e mente solicitam-se continuamente, como actores principais em entrega e actuação.


? > Desenhar para quê!

Desenhar representa uma resposta que se organiza interiormente, a partir da observação e do contacto com um mundo circundante, imaginado ou em vias de acontecer ou de ser sentido, concebido, realizado. Por isso, a nossa experiência de vida é tão essencial ao acto de desenhar, assim como o ensaio e o domínio técnico e material que o suporta.
Observar, tocar, ensaiar, riscar, estragar, raspar, dobrar, etc., são alguns dos verbos que podem povoar a acção desenhar, mas, só por si não são desenho. Desenhar implica principalmente experimentar, riscar e arriscar. Desenhar é ensaiar, tomar conhecimento, fruir e defender uma atitude, uma visão…
O desenho enquanto protolinguagem oferece um plano de suporte e desenvolvimento de conceitos de natureza visual e também acolhe de bom grado as especulações que de algum modo possam ser traduzidas re(presentadas) [entendidas] como formalizações deferidas a partir de outras áreas.

Direcção > Organizar a sua própria aprendizagem
Enquanto experiência sediada no próprio autor, é fundamental a construção de um plano de trabalho individual e o cumprimento das acções aí preconizadas. Sem essa atitude o desenho transforma-se rapidamente em algo, apenas,  para fazer a vez. Por isso, é importante que o estudante reflicta sobre o que pretende realizar agora e no futuro, e em que medida integrará a actividade desenhar.
A priori, o estudante nunca deverá acomodar-se a um resultado, a um desenho. Deve permanecer atento aos problemas que surgem – as dificuldades em desenho não acontecem por falta de habilidade, mas antes por falta de entendimento.
Autonomia > ver | avaliar | riscar | descrever | interpretar | criar | significar
O objectivo principal desta cadeira reside em ensinar ou incentivar os estudantes a percorrer uma estratégia na construção de uma linguagem própria, em reciprocidade com os benefícios individuais associados ao desenho.
Quando se ensina um modo de desenhar obtém-se um caminho limitado para aplicar estritamente a todos os elementos e estratégias (muitas vezes com total falta de convicção…). A pouca flexibilidade desta perspectiva pode ludibriar a vontade  e o âmago do potencial criativo em cada um. Perpetuar um modo de fazer não se integra no espírito geral desta disciplina, sendo preferível, que cada estudante convoque dentro de si e pela sua vontade, a natureza do desenho na forma e estrutura do discurso – a sua marca singular em ver e fazer – como primeiro patamar para um desenvolvimento criativo.
As estratégias da aprendizagem em desenho, gravitam em torno do desenvolvimento de objectivos, como  ver, avaliar, interpretar e criar.
Além da procura da autonomia, estes constituem os únicos e inevitáveis compromissos, que todo o estudante dedicado à area das artes deverá sempre congregar.

Desenvolvimento > De vértice em vértice.
O primeiro recurso em desenho é a acção do próprio corpo. No sentido real, enquanto organização de controlo e exploração, desenhamos sempre através da nossa própria realidade física, que nos garante suporte e presença. Pode ser através do controlo corporal directo, ou a partir de dispositivos que se sucedem em substituição ou prolongamento da estrutura humana, e mais recentemente, no espaço e no tempo.
Quando desenhamos com um pedaço de carvão, normalmente desenhamos com as mãos. Este não passa de um objecto tornado extensão e ligado à estrutura que desempenha a acção de desenhar. Refiro-me ao corpo como instrumento principal em desenho, participando como origem física da expressividade e da acção.
A partir do último quartel do século XX, com o advento dos meios e recursos computadorizados, continuam a surgir, em quantidade e diversidade, máquinas que multiplicam e especializam leques funcionais diversificados.
Já não se tratam de instrumentos no sentido habitual do termo, mas em virtude de acumular e ordenar inúmeros desempenhos, recebem a designação geral de elaboradores de processo e a eficácia dessas novas máquinas é inquestionável.
Para o desenho, enquanto disciplina que concerne o registo gráfico e a criação, a natureza dos meios e recursos não indica à priori vantagens previamente definidas. Ou seja, um desenho qualifica-se não pela sua origem técnica, mas antes, a partir da sua missão e alcances semântico, estético e criativo. Apesar da escolha do tipo de papel representar uma opção de natureza plástica, não é a sua qualidade absoluta que indica se um desenho é mais interessante do que outro. As questões técnicas, materiais estarão sempre envolvidas, mas nunca constituirão os factores únicos a determinar uma escolha final.
O desenho congrega uma relação formal entre os elementos conceptuais e a materialização das imagens. Durante um semestre estudaremos o potencial plástico dos meios (suportes e riscadores), desenvolvendo a nossa própria capacidade expressiva (controlo corporal e gestualidade) para ganhar a autonomia desejável ao estabelecimento das necessárias pontes de conceptualização e criação entre desenho, modelação plástica (bi e tridimensional) e, no fim, aflorar os princípios do registo gráfico vectorial em aplicação computadorizada.
Este é o triângulo proposto para o desenvolvimento estratégico da disciplina de Desenho I.

No site https://dedsign.wordpress.com estão apresentados os estudos previstos em sebenta própria da disciplina, dividida em três partes distintas:

A Linha. Elementos de desenho > Estudos e Exercícios 1 | 2 | 3 | 4 | 5

No primeiro grupo abordam-se os estudos centrados no domínio do desenho e visa-se o desenvolvimento de competências  fundamentais na estruturação e interpretação desenhada, como centros do ver e do fazer, enquanto princípios primordiais do acto desenhar.
Desenhar implica estruturar e interpretar num complexo de índole criativa e analítica. Este será o desígnio principal a guardar na prática proposta, para primeira parte do semestre da cadeira de Desenho.
Os níveis e estratégias da estruturação em desenho, atendendo à sua duplicidade  – enquanto base da construção na relação do ver e do fazer [comum desenhar]. A estrutura como natureza tipológica geral e proporcional, fronteira declarada das relações de leitura externa, decorrentes da oposição entre forma e fundo. A estrutura seguindo uma análise interna baseada na configuração, no detalhe e no antagonismo entre  claro e escuro, a luz e a sombra.
Deste modo, a estrutura suporta um primado de ordenação, com evidente importância no domínio dos meios e recursos e na realização controlada da expressão plástica, enquanto marca construtiva singular em diferentes autores. [Níveis e estratégias de estruturação]
A par dos estudos referidos sobre algumas das estratégias fundamentais em estruturar, percorrem-se ensaios de natureza expressiva dirigidos a partir de questões como o nivelamento e a acentuação, na relação entre ver e fazer na esfera do desenho. Essencialmente de índole expressivo, adiantam-se aspectos de desempenho e realização, centrados em torno do contorno e da gestualidade,  do peso e da modelação. A finalizar, a evocação enquanto enlace do discurso gráfico e criativo.
Estrutura e Interpretação em Desenho
Vocação expressiva dos meios gráficos
2.2 Níveis e estratégias de estruturação
2.3 Nivelamento e Acentuação
2.4 Contorno e Gestualidade
2.5 Peso e Modelação
2.6 Evocação

Princípios e ensaios de formalização > Estudos Exercícios e Propostas 6 | 7

3 Impressão e múltiplos

3.1 Positivo / negativo

3.2 Natureza das Matrizes

4 Volume

Modelação tridimensional

Estratégias de ilustração vectorial > Tutoriais

Fundamentos de ilustração / interpretação vectorial

5.1 Primitivas, operadores e elaboradores

5.2 Elementos de estrutura e organização

Bibliografia Principal

Borel, France – Le modéle ou l’artiste séduit

Bridgman’s Complete Guide To Drawing From Life

Corbeil, Jean-Claude – The Macmillan Visual Dictionary

D. Mattesi, Michael – Force The Key to Capturing Life Trough Drawing

Ferry, David – Painting Without A Brush

Loomis, Andrew – FUN WITH A PENCIL

Madeira Rodrigues, Ana Leonor – O Desenho | Ordem do Pensamento Arquitectónico

Mariotti, Mario – Animani

Mariotti, Mario – Umani

Molina, Juan José Gómez – Las Lecciones del Dibujo

Nicolaides, Kimon – The Natural Way of Drawing

Panofsky, Erwin – A perspectiva como forma simbólica

Picasso Suite 347

Robin, Harry – The Scientific Image

Sérullaz, Arlette – Sanguines du XIXe Siécle, de Delacroix à Maurice Denis – Musée d’Orsay

Tiner, Ron – Figure Drawing Without a Model

Bibliografia auxiliar

Adobe Creative Suite – Design Guide

Civardi, Giovanni – Drawing Portraits

Keane, Glen – Animating and Drawing 4-Legged Animals

Taylor, David | Ranson, Ron – Solving the Mistery of Watercolor

T. Byrne, Mark – Animation The Art of Layout and Storyboard

Veiga da Cunha, Luís – Desenho Técnico

Demais bibliografia a consultar via https://dedsign.wordpress.com nos links organizados temáticamente – coluna apresentada à direita.

Observações

Orientação e exercícios de ensaio em universos dimensionais distintos – https://dedsign.wordpress.com/linha/

Elementos visuais, conceptualização, modelo e sinopses – https://dedsign.wordpress.com/textos/

Princípios de registo técnico – https://dedsign.wordpress.com/desenhar/

Tutoriais de Ilustração Vectorial – https://dedsign.wordpress.com/tutoriais/ilustracao-vectorial/

Links associados

https://dedsign.wordpress.com

 

Cronograma 2008 | 09

CC – Celso Caires | MG Manuel Gomes

1 Contorno e Gestualidade

2 Gestualidade Nivelamento e Acentuação

3 Peso e Modelação

4 Evocação e Registo

6 Materiais e Ensaios

7 Linha, Plano e Volume

8 Linear | Evocar| Explicar

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