desenho e design

7 – Linear | Evocar | Explicar (Em conclusão)

O domínio do desenho é amplo e variado. À semelhança do universo das imagem, a natureza e as funções de um desenho percorrem territórios diversos, muito além da representação estritamente iconográfica.

Nesta parte, desenvolvo o papel do desenho aplicado à ilustração, considerando os leques mais frequentes de interpretação a esta associados. Nesses casos, o desenho pode dar ou associar forma visual a realidades que ultrapassam a noção visual, que não são vistas nem relatadas como entidades de natureza visual iconográfica.

Ilustrar passa por dar forma a um conjunto, muitas vezes, disperso de dados, ordená-los em resultado visual compreensível, mas nunca adulterar as relações internas que marcam essa realidade. Ou, melhorar a leitura, por eliminação de ruídos e elementos “contaminantes”, como é frequente agir na realização de ilustrações médicas – As linhas que desenham os órgãos ajudam a ver e a interiorizar por si, cada uma das entidades biológicas e orgânicas.

A ilustração decorre de uma visualização interpretada, segundo um resultado formalmente realizado a partir de um desenho, pintura, fotografia ou qualquer outra forma de expressão e estrutura de representação. O objectivo central de qualquer ilustração repousa em dois pressupostos permanentes:
Evocar – referência a um caso ou fenómeno. Enquanto epicentro de atenção e comunicação.

Explicar – acção dedutiva sobre um quadro epistemológico específico. Apresentando, comunicando uma ordem clara e organizada, relativa um contexto ou evento.

Ao serviço de cada um dos objectivos apresentados anteriormente, é obrigatório isolar, caracterizar e distinguir os elementos a evocar e a explicar.
De facto, é disto que se trata, quando se pretende ilustrar. O objecto central de uma ilustração é o de elucidar ou complementar um contexto informativo, construindo uma imagem portadora de um sentido narrativo implícito, enquanto factor associado ao conhecimento e à comunicação.
Por este motivo, na progressão dos diversas domínios do conhecimento, áreas distintas recorrem amiúde ao papel da ilustração enquanto fracção epistemológica, pela sua vocação como síntese fenomenológica ou resenha explicativa.

Minard, Charles. Charles Minard’s 1869

“Carte figurative des pertes successives en hommes de l’armée française dans la campagne de Russie 1812-1813 Dressée par M. Minard, Inspecteur Général des Ponts et Chaussées en retraite.
Paris, le 20 Novembre 1869
Les nombres d’hommes présentés par les largeurs des zones colorées a raison d’un millimètre pour six mille hommes; ils sont de plus écrits en travers des zones. Le rouge désigne les hommes qui entrent en Russie, le noir ceux qui en sortent. — Les renseignements qui ont servi a dresser la carte ont été puisés dans les ouvrages de MM. Thiers, de Ségur, de Fezensac, de Chambray et le journal inédit de Jacob, pharmacien de l’armée depuis le 28 octobre. Pour mieux faire juger a l’œil la diminution de l’armée, j’ai supposé que les corps du prince Jérôme et du Maréchal Davoust qui avaient été détachés sur Minsk et Mobilow et ont rejoint vers Orscha et Witebsk, avaient toujours marché avec l’armée.”

Os gráficos ao descreverem de forma sintética e mais compreensível um dado quadro de acontecimentos, fazem parte das imagens designadas genericamente como ilustrações. Seguindo um comportamento estatístico ou expressando uma grandeza numérica, os gráficos definem uma incidência não iconográfica, ou, se preferirem, ultra iconográfica (dado que estão para além das acepções iconológicas que recolhemos sobre uma dada realidade e assim permanecendo como reserva absoluta de dados).

Num contexto mais abrangente, considera-se o gráfico como um resultado dos métodos associados a objectivos centrais da visualização [leitura selectiva] de ordens fenomenológicas diversas. A visualização está normalmente associada a resultados devolvidos por computador, envolvendo processos categorizados tecnicamente, ao serviço de imagens selectivas de interpretação [análise e síntese]. A diversidade das abordagens desenvolvidas em função dos requisitos associados à própria comunicação é bem patente no “quadro periódico” dos métodos de visualização:

O quadro contém link para consulta e visualização de exemplos em cada elemento da “Tabela Periódica”.

O presente mapa ilustra as relações funcionais entre os diversos elementos constituintes de um organismo vivo, incluindo os processos físicos e químicos subjacentes no conjunto orgânico estudado. Segundo a explicação dos autores: “O mapa está baseado em conceitos e foi realizado “à mão” segundo decisões visuais, sem recurso ao processamento informático. Constituindo um exercício que envolve mais a arte do que a ciência, dimensões e cores foram definidas de modo a apresentar as relações de grupo e os níveis de importância relativa, embora permita que o leitor distinga sem esforço as inúmeras ligações estruturadas.

Segue a estrutura geral geral dos grupos metafóricos na ilustração das posições relativas, como se aplica ao traçado dos mapas do Metro. Vide os conceitos fundamentais aplicados na realização do presente mapa (Princípios de Design e percepção visual, metáforas, analogias anatómicas), em http://simplementewiki.org/MapaDeFisiolog%C3%ADaHumana

A partir dos autores – Dr. Mario Dvorkin (médico especialista), Romina Romano (Design gráfico) e Eduardo Mercovich (Concepção geral e visualização)

Fyre é um programa destinado à realização de ilustrações baseadas em histogramas da iteração entre funções caóticas. A partir de David Trowbridge, Micah Dowty (outras imagens)

Ainda sobre a categorização dos elementos gráficos associados ao desenvolvimento de informação visual estrategicamente orientada, através da representação das mais diversas realidades, aconselho a consulta de casos em:

http://designlabel.blogspot.co

http://www.designingthenews.com/

http://infosthetics.com/

A Infografia é a designação mais correntemente aplicada na área dos meios de comunicação – jornais, televisão, etc.

Após a consulta das fontes apresentadas, pode extrair uma primeira conclusão: os métodos ou conceitos de estruturação de imagem/informação oscilam morfologicamente entre dois extremos fundamentais – o ícone e o abstracto.

Se os exemplos anteriores suscitam a conclusão de conceptualizações centradas em torno de “não imagens” de “imagens”, uma vez que pretende representar acontecimentos, eventos e relações, que ultrapassam uma ordem visual habitual, os casos que se seguem, apresentam uma estreita correlação de “imagem” de “imagem”. O desenho dos Morcegos sintetiza as finas diferenças que separam os diversos tipos no interior de uma ordem taxonómica específica. É um dos papeis principais da ilustração científica, aprofundar por acentuação /nivelamento as relações visuais que caracterizam e consequentemente isolam cada caso.

Haeckel, Ernst. “Chiroptera”, Kunstformen der Natur, 1904.

http://bibliodyssey.blogspot.com/

Enquanto consequência plausível do Iluminismo (séc. XVIII), a aventura dos dois grandes impérios, o continental e o insular (França e Inglaterra), apoiou-se na conquista do conhecimento e na prospecção de novos territórios, enquanto bandeiras de uma moderna hegemonia. A 21 de Julho de 1798, Napoleão dirigindo-se ao seu exército, terá dito “soldados, do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam…” Apesar do falhanço quase total da campanha napoleónica no Norte de África, o espólio de gravuras e desenhos chegados até aos nossos dias, constituem provavelmente a maior e mais duradoura conquista. Uma Companhia (neste caso 167 elementos civis e militares), fez parte da expedição ao Egipto, constituída por matemáticos, astrónomos, engenheiros civis, naturalistas, arquitectos, desenhadores e impressores, entre demais especialidades, acabaria por deixar, o que viria a ser, o melhor contributo da campanha através da obra enciclopédica – Description de l’Egypte.

Compêndio constituído por dez volumes e duas antologias, reúne ampla informação desenhada nas áreas da arqueologia, etnografia e geografia, apresentando elementos de inventariação sobre a flora e a fauna da região nilótica.

Description de l’Egypte, Edfou (Appollinopolis Magna) – A. vol. I, pl. 60

Esta orientação enciclopédica da imagem foi uma estratégia comum, progressivamente acentuada a partir do século XVIII, como se comprova através da “Encyclopédie Diderot Alembert”, realizada de 1751 a 1772, antes da obra “Description de l’Egypte”. Composta por 17 volumes de texto, 11 volumes de desenho, constituída de 72000 artigos e realizada com o contributo de 140 colaboradores, esta apresenta um gigantesco trabalho de referência sobre as artes e as ciências, servindo como referência importante para a propaganda dos ideais do Iluminismo Francês.

Encyclopédie Diderot Alembert

Salvo por um abutre de uma queda na cordilheira do Himalaia. A ilustração também pode irradiar e “vender” muita ingenuidade para os amantes de aventuras rocambolescas.

ZURICH
PRINTED FOR THE AUTHOR, BY ZURCHER AND FURRER, AND SOLD BY FRIEDRICH KLINCKSIECK, N° 11, RUE DE LILLE, A PARIS.NEW YORK, WILEY and HALSTED, Broadway. — LONDON, TRÜBNER and Co.; WILLIAMS and NORGATE. LEIPZIC, WILHELM ENGELMANN. 1858.

Anatomical illustration showing the veins, from a medical miscellany.
England; 13th century, late
Bodleian Library, MS. Ashmole 399, fol. 18r

Graham Johnson, Graham Johnson Medical Media, Boulder, Colorado

Theodore Roosevelt Nature and History Association, 1990,

Dkimages

Propostas – Freedom Tower. Maquetes não virtuais.

Tim Danaher, Gyratory Tower Modelada em SketchUp e em Cheetah3D

William Joyce, Dinosaur Bob

Maraja, Alice no País das Maravilhas (Gosser & Dunlap New York 1957, W.H.Allen London 1958)

Conjunto de ilustrações de Jörg Block em artigo sobre marketing

Esta introdução sobre alguns dos pressupostos fundamentais de uma ilustração, não invalida colocar uma questão também importante:

Qual o nível iconográfico a atribuir à ilustração a realizar?

Para atingir uma resposta adequada deve centrar a sua decisão a partir dos objectivos gerais apresentados no início deste texto – Evocar e Explicar.

(em conclusão)

> Linha

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