desenho e design

Pictograma – Proposta de orientação

Introdução

Pretende-se contribuir, através da presente proposta de orientação, para a melhoria global das abordagens, que cada estudante desenvolverá no decurso do período reservado para a realização do projecto em epígrafe.

O êxito de um projecto depende não só da metodologia desenvolvida, como também de uma independente e profunda reflexão, que em consciência se conduz, ao longo de um percurso pleno de experimentação e avaliação.  De certo modo, a boa realização acontece com maior probabilidade, quando se está desinteressadamente interessado. Quando, em cada projecto, o hedonismo do seu autor cede uma margem razoavelmente estável aos outros – os destinatários, os utilizadores, os fruidores, enfim a todos que perfazem a primazia dos objectivos alcançados.

1 Tema

A criação de um conjunto de pictogramas é o objecto central do projecto a desenvolver. Esta deverá alcançar um elevado sentido de adequação e coerência formal, integrando o sentido de classe e ordenação taxonómica claramente estruturadas.

A escolha temática é diversa e a determinar segundo as propriedades definidas no seio de um conjunto de elementos, enquanto referentes no processo de comunicação. Tal aprofunda o sentido ideográfico e simbólico a encontrar na definição do tema quanto à semiótica que configura e determina o grupo ou conjunto de chaves pictográficas a criar e estruturar. O leque de pictogramas desenhado por Yang Liu a propósito das diferenças culturais entre Ocidente e Oriente, evidencia uma grande subtileza na abordagem do tema pela escolha das situações colocadas em paralelo, não tanto pela inovação formal aplicada nos referentes, mas sobretudo pela subtileza no confronto de mentalidades.

A aplicação criativa centrou-se sobretudo na escolha de casos que melhor possam traduzir o tema OST TRIFFT WEST (Este encontra Oeste). Como é verificável, a linguagem desenvolvida e os elementos formais aplicados são os recorrentes nas situações convencionais.

Na imagem seguinte apresentam-se dois pictogramas utilizados nos Jogos Olímpicos de Munique (1972, Otl Aicher) e de Pequim (2008, Min Wang), respectivamente. Enquanto referência ao atletismo, ambos evidenciam respostas formais diferentes.

No primeiro caso, o pictograma – atletismo dos Jogos Olímpicos de Munique – denota configuração e estrutura de um signo em estreita influência ou proximidade com as formas desenvolvidas no Isotype de Otto Neurath. Esta visão marcaria os grupos pictográficos que as normas DINISO vieram generalizar na construção de sistemas de informação.

O pictograma desenhado para o sistema aplicado nos Jogos Olímpicos de Pequim é uma referência razoável de como os signos podem adoptar características formais específicas, vincando uma natureza cultural, além da resposta estrita do referente principal e para além dos pressupostos normativos. Próximo da fluência gestual da caligrafia chinesa, transporta a Kalli (beleza) e a graphein (escrita) da cultura oriental.

Universo Temático @ Celso Caires

No universo da comunicação, todos objectos são transformáveis quando interpretados, lidos e produzidos entre as balizas iconográficas e pictográficas que os remetem. Os três exemplos apresentados representam bem a a oscilação, que no plano criativo pode ser operada, formulando-se respostas distintivas para cada um dos temas equacionados:

Pictogramas dos Jogos Olímpicos de Munique – 1972

Formalização da linha de pictogramas centrada na acção que caracteriza e diferencia as diversas modalidades representadas nos Jogos. A identidade alemã está embebida na influência gráfico|formal do Isotype, mas enquanto factor de normalização internacional, não acentua a identidade do local como acontece no caso seguinte.

Pictogramas dos Jogo Olímpicos de Pequim – 2008

Mantendo os pressupostos de leitura nos sistemas de pictogramas, esta resposta  evidencia globalmente referências de identidade local através de uma morfologia mais afastada das soluções tipificadas no Isotype e mais próximas da cultura chinesa.

OST TRIFF WEST – 2007

Embora consagrando o modelo Isotype, esta abordagem desenvolve-se a partir da tradução pictográfica baseada na diferenciação entre respostas | acções idênticas, assinalando culturas distintas.

Portanto entre o objecto, a acção e a diferenciação terá ampla liberdade na escolha do tema a desenvolver, tratado ou focado em termos estritamente formais, inventando e renovando a leitura, segundo o sentido que pretender referenciar e criar.

Além dos casos focados, vide projecto realizado por Ney Valle e Claudia Gamboa para Jogos Rio 2007 e Marca Rio 2007, a linha pictográfica académica para OLIMPIADAS DE INVIERO | OSORNO 2010 ou o estudo de sinaléctica para o IED (Instituto Europeo Di Design) de Barcelona. Também será útil uma ciber visita à exposição “Lovely Language – Words divide, image unite“, que esteve patente de 24.11.07 a 11.02.08 no Centraal Museum Utrecht e da qual apresentamos algumas imagens.

Mindless, Pippo Lionni, 2002, foto: Roel Stevens

People (project), Charles Sandison, 2003, foto: Roel Stevens

2 Objecto de estudo e projecto

Em função do tema escolhido estabelecer o conjunto, definindo as suas propriedades, a criar segundo as referências próprias que formalizam conceitos e características associáveis – Factos históricos, imagens, eventos, casos, acções, detalhes, etc.

Os elementos recolhidos constituem uma base semântica para estudar e formalizar uma resposta adequada ao tema escolhido.

Objectivos gerais e específicos

Pretende-se realizar um projecto de design centrado na criação e síntese gráfica de um conjunto de pictogramas, congruente com os princípios gerais que caracterizam um sistema sinaléctico:

Marcar < > Direccionar | Assinalar < > Identificar | Informar < > Sinalizar.

A sua finalidade é a informação clara e instantânea, aplicando uma linguagem sintética e não discursiva. O princípio geral fundamental a considerar centra-se na resolução da máxima informação com o menor esforço de identificação e compreensão. Seguindo este ponto de vista, deverá considerar o conceito:

KISS

A natureza específica do seu trabalho irá especializar este conjunto segundo um leque opcional de objectivos:

Identificar ou regular um Ambiente | Local | Objecto

Diferenciar e apresentar Acção | Objecto

Normalizar e harmonizar os elementos enquanto conjunto visual coerente.

Estabelecer ligações de natureza sintáctica e semântica congruentes.

Criar um sistema de natureza catamórfica (1)

Compreender o processo de percepção visual através de princípios semiológicos gerais aplicados à interpretação gráfica.

Consultar o diagrama geral sobre os aspectos fundamentais envolvidos na realização de um projecto.

3 Desenvolvimento

O tema escolhido é o início de um trabalho de defesa e organização dos princípios, da informação recolhida e estruturada, assim como das soluções estudadas, seleccionadas e concretizadas.

Numa primeira fase importa apresentar o quadro semiológico de acção segundo os dados recolhidos na primeira fase – Objecto de estudo e projecto.

Estudar o contexto geral associado ao desenvolvimento do projecto. Investigar os campos semântico e associativo em torno dos elementos que constituem o tema a estruturar. Como se apresenta no quadro seguinte, a título de mera exemplificação. Analisar aspectos de natureza denotativa e conotativa.

Apresentar genericamente a metodologia desenvolvida quanto à estruturação do problema e ao desenvolvimento sucessivo de soluções, assim como a avaliação e decisões relativamente à solução escolhida.

Caracterizar os aspectos sintácticos, semânticos e pragmáticos considerados no projecto realizado, definidos para o grupo | conjunto e em cada um dos pictogramas desenhados.

Na fase seguinte pretende-se individualmente ou em grupo de trabalho aplicar a metodologia geral na área do projecto de design. Em síntese e de forma simplificada, a metodologia associada ao processo de design desenvolve-se nas seguintes etapas estabelecidas segundo cronograma de acção:

A – Declaração geral dos objectivos > 6 – 12 Out

Define objecto de estudo e projecto segundo critério individual baseado nos dados anteriores (ponto 1).

B – Caracterização do projecto a desenvolver > 13 – 19 Out

Esta fase é de importância crucial. Antes de encontrar uma solução é fundamental clarificar o problema que se pretende abordar. Especificar criteriosamente as características do objecto a projectar é uma necessidade e torna-se fundamental no desenvolvimento coerente de qualquer projecto > Discussão em grupo e apresentação individual.

C – Conceito a desenvolver e concretizar > 20  – 2 Out | Nov

Período dedicado ao esboçar de possibilidades e soluções sugeridas na fase anterior. O esboço a lápis baseado em referentes iconográficos ou verbais materializam as inúmeras possibilidades que nesta fase nunca deverão ser ignoradas ou censuradas.

D – Avaliação do conceito > 3 – 9 Nov

Após formalizar um razoável número de hipóteses deverá decidir sobre qual incidirá a sua escolha, confrontando-as com os itens encontrados na fase B. Desenvolver e apresentar os dados segundo uma estrutura de organização tipo matriz.

E – Planos detalhados e protótipo > 10 – 30 | 2 -12 Nov Dez

Nesta fase desenvolve os planos técnicos de representação do conceito escolhido, segundo as normas de representação técnica em vigor, aplicando os princípios formais definidos em D (Avaliação do conceito) aos restantes elementos do conjunto de pictogramas.

Produzirá em protótipo um dos pictogramas projectados, com a finalidade de testar verticalmente o conceito desenvolvido.

F – Projecto completo > 15 – 20 Dez

Em caderno impresso e em formato digital – de preferência PDF.

Para conhecer, analisar e reflectir sobre a estrutura de um projecto final, poderá consultar os manuais de normalização da Transport of London, claro que a organização final dependerá formalmente da natureza do projecto.

4 Cronograma

5 Avaliação

Indicação programada e calendarizada segundo o cronograma apresentada. Em D e F aplicam-se os procedimentos da auto-avaliação e da hetero-avaliação segundo índices a comunicar.

(1) – Segundo Bonsiepe, G. – Teoria y prática del diseño industrial. “Se dice que son catamorfos aquellos elementos que ni son congruentes ni afines, pero que están ligados por una común relación interfigural. Ejemplo: un alfabeto, cuyas letras tienen formas asaz diversas, pero que gracias a la similaridad de detalles formales se reciben como pertenecientes a un mismo sistema”

Referências bibliográficas

Arnheim, Rudolf – El pensamiento visual. Buenos Aires: Eudeba, 1985. Arnheim, Rudolf – O poder do Centro. Design e Comunicação Visual. Edições 70. Bonsiepe, Gui – Teoria y prática del diseño insdustrial | Elementos para una manualística crítica. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, S. A. 1978. Dondis, Donis A. – Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 2000 Fabris, 1979. Frutiger, Adrian – Signos, símbolos, marcas, señales | Elementos, Morfologia, Representação, Significación. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, S. A. 1981. Hogg, J y otros autores – Psicologia y artes visuales. Madrid: Editorial Gustavo Gilli, S. A. 1975. Kandinsky, Wassily – Ponto Linha Plano. Edições 70. Kerckhove, Derrick  – A pele da cultura. Mediações, Comunicação e Cultura. Lisboa, 1997. Küppers, Harald – Fundamentos de la teoria de los colores. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, S. A. 1992. Matos Neves, João Vasco  – Sistemas Pictográficos. Müller-Brockmann, Josef – Sistemas de rectículas Un manual para diseñadores gráficos. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, S. A. 1982. Munari, Bruno – Design e Comunicação Visual. Edições 70. Munari, Bruno – Artista e Designer. Colecção Dimensões. Lisboa, 1979.

E-Dicionário de Termos Literários

DITL – Dictionnaire International des Termes Littéraires

Diagrams Elementos de lógica e decisão 

Peirce’s Theory of Signs

Casos Tipo

ELLA Baché


5 Respostas

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  1. vitoria rodrigues nascimento said, on 12 de Novembro de 2010 at 21:29

    olla vitoria tudo bem com voce?

    • vitoria rodrigues nascimento said, on 12 de Novembro de 2010 at 21:29

      olla tudo

    • Celso Caires said, on 20 de Novembro de 2010 at 12:42

      Olá Vitória

  2. Sherie Candland said, on 26 de Março de 2011 at 17:00

    I like the valuable information you provide in your articles. I’ll bookmark your weblog and check again here frequently. I am quite certain I will learn many new stuff right here! Good luck for the next!

    • Celso Caires said, on 2 de Abril de 2011 at 18:38

      Dear Sherie your comment is very nice. Cheers!


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