desenho e design

Classificação e Estratégia (em construção)

Esta breve introdução aos aspectos mais relevantes da semiologia | Semiotic trata algumas questões úteis na abordagem de um projecto de comunicação no domínio do design.

Segundo Saussure o signo estrutura-se a partir uma díade definida pelo seu significante – forma estabelecida; e o seu significado – conceito que encerra ou representa.

O significante configura a componente livre e adaptável que prevalece em todo o signo, enquanto peça que se adequa às necessidades da comunicação, ao acolher a variabilidade dos significados que um discurso determina, segundo um encadeado de natureza sintagmática [sintaxe], que suporta as relações associativas ou paradigmáticas [semântica].

Outros autores determinam outra natureza estrutural, como Pierce estipulando uma tríade como base de organização afecta à acção dos signos, enquanto processo de significação e produção de significados – Semiose – Signo – Ícone | Objecto – Índice | Interpretante – Símbolo.

OneAndThreeChairs (1965), Joseph Kosuth

O valor e amplitude de um signo processa-se segundo uma teia histórica, cultural e social, na relação entre o colectivo e o individual, entre o passado e o presente. Em rigor, existem signos porque o processo de comunicação enquanto primado essencial, assim o exige. Como chaves de um sistema estruturado de convenções, estes são fundamentais à formalização do processo de comunicação. Na perspectiva dos ensaios gráfico e visuais a desenvolver relevo três aspectos essenciais a aplicar:

  • Ao nível da estrutura do signo e as consequentes premissas de natureza sintáctica, quanto à relação com outros signos e como se combinam.
  • Do ponto de vista semântico.
  • Do ponto vista operacional. Na criação e consolidação de um projecto de comunicação.

Signo @ Celso Caires

Através da ilustração apresentada conjugo em diagrama sintético, os elementos e factores que sempre estarão presentes, aquando da concepção geral de um signo.

Na origem azul a universalidade, a formalização e o referente.

Na origem vermelha a cultura, a diferenciação e a identidade.

No centro amarelo o signo.

Apesar das inúmeras perspectivas que a análise semiológica sempre introduz, esta será uma estrutura plausível de uma orientação estratégica para a realização de um projecto em comunicação.

O grupo ou teor azul reúne os factores fundamentais de inclusão informativa. Por um lado os aspectos formais|materiais que suportam a mensagem, por outro o seu âmbito na comunicação, que se pretende o mais vasto e universal possível. Formalizar implica criar ou atribuir forma, segundo a amplitude e extensão da sua leitura – ninguém desejará que as mensagens sejam apenas descodificadas pela fonte e fracamente compreendidas pelo receptor. Se a universalidade é um limiar sempre desejável (tanto melhor! quantos mais entenderem a mensagem [1]), desempenhando assim um papel regulador ou limitador relativamente à formalização da mensagem e da comunicação. Também é verdade, que o processo de comunicação representa um aposta geral e universal nas etapas do crescimento e da Inovação. Criar e comunicar definem a linha condutora da vida e da acção.

A universalidade acarreta a partilha de códigos comuns. Caracterizados por uma grande flexibilidade sintáctica (sintagmática) e uma ampla resposta semântica (paradigmática). Em ambos casos o modelo de formalização gráfica baliza-se entre o nivelamento (custo da universalidade [2]) e a acentuação (pressupostos da diferenciação).

O teor vermelho agrupa os factores activos na construção, que impelem o discurso e dão azo à singularidade expressiva no processo de comunicação.

Otto Neurath e Charles K. Bliss

[1] Nem sempre…, pelo menos a História assim o demonstra. Por motivos de segurança militar o método de Monge manteve-se em segredo durante algum tempo. Somente em 1794, em plena Revolução Francesa, Monge pôde divulgar publicamente sua invenção. Por vezes pretende-se formalizar a informação através de um código só decifrável por alguns. Neste caso, efectivamente, informação detalhada numa dupla projecção ortogonal só se torna compreensível, depois de conhecer o método que a produziu. A universalidade passa a ser considerada uma propriedade oculta, a manifestar-se só após a compreensão do método.

[2] Mais universal mais nivelado, por força da restrição sintáctica e semântica no conjunto da totalidade dos códigos.

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