desenho e design

Forma e Campo Visual

Introduzi a cadeira de Forma e Campo Visual, aquando das alterações realizadas para a formação do novo plano de estudo estabelecido a partir de 2000. Essas alterações visaram integrar na formação base dos cursos de design e de artes plásticas, conhecimento fundamental sobre os aspectos de natureza teórica e de ensaio material, segundo a direcção exploratória de critérios visuais, tão necessários ao desenvolvimento da tactilidade ou à condução háptica em paralelo com a consagração de princípios conceptuais, aquando das formações estruturadas para o ensino e desempenho na arte e no design.

Aqui fica o programa síntese das explorações e estudos orientados a partir dessa data (2000).

Sinopse
Esta cadeira do Grupo de Desenho, embora não tendo recebido a habitual designação das cadeiras de desenho: Desenho I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX… (tão ao gosto de algumas estruturas curriculares), estabelece uma área de estudos e desenvolvimentos no domínio gráfico visual, em interacção com os princípios fundamentais da percepção visual e da formalização plástica.
Propõem-se as orientações metodológicas que introduzam os necessários contextos abstractos e conceptuais, essenciais às práticas e teorizações do campo e da forma, em torno da regulação e do controlo operacional das organizações plásticas e visuais.
Fundamentos da Teoria da Forma e do Campo Visual. A geometria poética de Kandinsky e a perspectiva da escola gestáltica. Campo e Forma. Princípios de Grupo; Interrupção perceptiva e formal; hierarquia dos princípios gestálticos; Primitivas Formais. Princípios de operação formal . Relações disjuntivas e conjuntivas. Módulo e Padrão. Sistemas de génese natural . Paradigmas geométrico estruturantes de crescimento e organização natural . Sistemas auxiliares de construção projectiva de Vitrúvio a Corbusier. Ordenação geométrica do espaço; Grelhas 2D e 3D – Proporção, Direcção, Tensões e Anomalias . Operações espaciais de Reflexão, Simetria e Rotação. Elementos Distributivos e de Diferenciação. Propriedades Visuais. Ilusão e Metamorfose.

Desenvolvimento
A propósito do Desenho enquanto domínio presentativo do conceito, da linguagem e da interpretação, citando Juan José Gómez Molina, in “Las Lecciones del Dibujo”:

“Os traços que  reconhecemos são os rastos fixos daqueles gestos que nos ajudam a compreender o processo, segundo o qual as pessoas representam os conceitos das coisas . Os fenómenos visuais permitem estabelecer a ordem hierárquica daqui lo que se valoriza. O ensino desenvolveu através destes componentes: gestos e estruturas, os instrumentos para a interpretação das ideias que comportam e concretizam. Através destes, o Desenho, ao mesmo tempo que configura uma ideia, comunica e informa da estrutura que cada pessoa usa para captar o fenómeno, reflectindo ao mesmo tempo o valor simbólico assumido.
Todo o sistema compositivo estruturado é redutível à análise das suas partes, proporções, ritmos, etc., e cada pessoa pode novamente traduzir uma ordem estilística a partir de uma apropriação personalizada, do mesmo modo que as novas escolas de design, baseando-se na crença de um princípio básico e comum à forma, desenvolvem um processo de redução formal para encontrar os elementos e as leis interdisciplinares que sustentem um autêntico estilo moderno.”
A disciplina de Forma e Campo Visual resume um leque vocacionado de estudos e propostas, direccionado em torno das questões inerentes à natureza de um conjunto de intervenções associadas à problemática meta visual (1) do espaço e do campo. Após as abordagens fundamentais, em torno dos princípios que regulam as relações entre forma e campo visual,
sucedem-se as acções de intervenção criativa na abordagem de casos tipo, estreitamente ligadas à realidade local, considerando-se o desenho e o seu autor como subscritores de um plano para a intervenção criativa.
Esta situação de macro linguagem, resume o desenho como domínio preparatório e discursivo, ligado à elaboração conceptual da própria intervenção.
Durante a década de oitenta iniciou-se a revisão da terminologia associada directamente aos aspectos formais de natureza visual e plástica nas artes e no design. Avaliaram-se globalmente as referências sintácticas e semânticas à luz da psicologia e da psico-linguística. Daí resultaram princípios de maior abrangência e aplicabilidade para as diversas linguagens artísticas. A cultura visual é um dos conceitos emergentes dessa procura, que considera a globalidade de todas as linguagens, independentemente das diferenças de suporte e de meio formal.
Quando se estabelece a diferenciação entre os diversos elementos envolvidos na criação plástica e visual, pretende-se especializar a linguagem fundamental da criação com base nas atitudes e processos mentais do ser humano, relegando para o plano secundário as questões das propriedades físicas e materiais dos meios, que sobretudo, apenas especializam o suporte, sem enquadrarem a linguagem base das atitudes conceptuais presentes no acto criativo.
Wassily Kandinsky, artista e professor da Bauhaus, no seu livro “Ponto, Linha e Plano”, publicado em 1923, defendeu uma série de conceitos, que, fundamentalmente, evocam a presença de uma linguagem geral integradora para a expressão artística. Kandinsky analisou as intersecções possíveis entre os processos conceptuais em prática nas artes. Entre a Matemática, o Zen, a Pintura e a Música desenrolam-se os princípios basilares da teoria visual de Wassily, que repousam precisamente no ponto, na linha e no plano, enquanto sínteses estruturais construtivas da linguagem artística.
Já no Renascimento Leonardo afirmava que a pintura é uma coisa mental. Aguardámos até ao século XX para descobrir e teorizar o alcance e a profundidade desta frase simples e enigmática. A taxonomização adiantada por Wucius Wong, se não escalpeliza totalmente a frase adiantada por Leonardo, é pelo menos uma estrutura arrumada e bem resolvida do ponto de vista da organização dos conhecimentos base, estritamente necessários a todos aqueles, que pretendam penetrar com maior ou menor profundidade na essência visual da organização da obra artística.
As calçadas tradicionais, os jardins, a relação entre urbe e paisagem, entre população e natura, são possíveis de estudar e, consequemente, motivadoras da nossa atenção sobre os aspectos que despertam o sentido criativo face às realidades urbanas e naturais da cidade e da paisagem, que sempre albergam como pano de fundo a nossa própria existência.
Não basta fazer qualquer coisa que preencha o espaço devoluto. Esse não é o caminho, porque, como na música, os silêncios são chaves fundamentais para o ritmo e a melodia. Não se trata de fazer mais de quaisquer coisas, porque o mundo é um espaço cada vez mais inundado de formas e objectos. Tantas vezes, como na música, o silêncio é a chave fundamental para ouvir e vêr, sem as conflitualidades que uma poluição genericamente impõe.

Objectivos
> Introduzir elementos de controlo gráfico formal, expandindo alternativas morfológicas.
> Operar no domínio da teoria do campo e da forma.
> Explorar graficamente os princípios fundamentai s entre os elementos de constituição formal e o campo visual.
> Promover a adequação, a diversidade e a investigação dos meios técnico expressivos às final idades do discurso gráfico.
> Formular resultados em coerência com a natureza dos materiais, entre o universo conceptual e o mundo material .

Conteúdos
1 Princípios da teoria Gestalt.
1.1 Forma e campo.
1.2 Ambiguidade e Interrupção do campo visual .
1.3 Interrupção.
1.4 Proximidade.
1.5 Similaridade
1.6 Configuração/ fecho gestáltico.
1.7 Vertical e Horizontal .
1.8 Equilíbrio e Simetria.
1.9 Espaço Positivo e Negativo.
1.10 Repetição, Ritmo e Padrão.
1.11 Direcção.
1.12 Valor.
2 Primitivas formais e conceptuais.
2.1 Associação.
2.2 Subtracção.
2.3 Adição.
2.4 Intersecção.
2.5 Disjunção.
3 Sistemas de ordenação.
3.1 Regularização geométrica do campo visual.
3.1.1 Estruturação de grelhas.
3.1.2 Grelhas em espaços 2D e 3D.
3.1.3 Grelhas de harmonia fixa e variável .
3.1.4 Reflexão; Combinação; Sub-divisão; Logarítmica
3.1.5 Módulos poligonais.
3.2 Sistemas de génese natural
3.2.1 Paradigmas geométrico estruturantes da geração e das organizações naturai s.
3.2.2 Sistemas intemporais e cinéticos.
3.3 Campo e relações.
3.3.1 Espaço positivo e negativo. Plano e ilusório. Formas planas no espaço ilusório.
3.3.2 Relações de vizinhança, autonomia e interdependência modular versus sistema padronizado.
3.3.3 Padrão e desenvolvimento cinético temporal dos componentes sub-modulares .
3.3.4 Flutuação e conflitos espaciais; Espaço ilusório possível e impossível.
3.3.5 Elementos distributivos
3.3.5.1 Contraste; Regularidade; Anomalia.
3.3.5.2 Relações visuais de diferenciação entre os elementos.
3.3.5.3 Direcção; Posição; Espaço; Gravidade/Peso Visual .
3.3.5.4 Curso e percurso.
3.4 Tratamento gráfico visual
3.4.1 Cor e esquemas cromáticos
3.4.1.1 Monocromatismo,
3.4.1.2 Analogia; Neutralidade; Complementaridade.
3.5 Ilusão e Metamorfose
3.5.1 Análise da obra de Escher
3.5.2 Metodologias de controlo espacial em Escher.

Referências web

http://machofashion.wordpress.com/

Referências Bibliográficas

Bibliografia base
ARNHEIM, Rudol f O Poder do Centro Col. Arte e Comunicação, Edições 70, Lisboa
ARNHEIM, Rudol f O pensamento Visual Col. Arte e Comunicação, Edições 70, Lisboa
FOCCILON, Henri A Vida das Formas Col. Arte e Comunicação, Edições 70, Lisboa
MÜLLER-BROCHKMANN RETÍCULAS Edi torial Gustavo Gi l li , s .a., 1982, ISBN 84 252 1105 0
CARNEIRO, Alberto CAMPO SUJEITO E REPRESENTAÇÃO NO ENSINO E NA PRÁTICA DO DESENHO/PROJECTO FAUP Publ icações, 1995
CARBONETTI, Jeanne The Yoga of Drawing. Watson-Gupti ll Publications. 1999
HOGG, J. Psicologia y Artes Visuales Ed. Gus tavo Gili , Barcelona, 1969, ISBN 84 252 0831 9
WONG, Wucius PRINCIPLES OF TWO AND THREE DIMENSIONAL DESIGN Van Nostrand Reinhold Company, London, 1972
MARCOLLI, At tilio TEORIA DEL CAMPO Sansoni, ISBN 88 383 0215 4
SAUSMAREZ, Maurice de DESENHO BÁSICO Editorial Presença, 1979
KANDINSKY, Wassily PONTO, LINHA, PLANO Edições 70, 1996, ISBN 972 44 0566 4
MASSIRONI, Manf redo VER PELO DESENHO Edições 70, 1996, ISBN 972 44 0716 0
MAURITIUS ESCHËR, Espelho Mágico
>
Sínteses

5 Respostas

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  1. mriane said, on 11 de Junho de 2010 at 17:02

    espelho magico

  2. Maria João Castro said, on 8 de Outubro de 2010 at 20:04

    Tomei a liberdade de colocar uma parte de um texto seu (Forma e campo visual) no meu blog – e aproveitar para lhe dizer que o seu blog é uma importante referência para o meu trabalho.

    • Celso Caires said, on 13 de Outubro de 2010 at 1:13

      Fico muito feliz que assim seja, pela utilidade que possa oferecer. Já agora qual é o seu blog? Cumprimentos

  3. Maria João Castro said, on 1 de Novembro de 2010 at 18:47

    Olá outra vez,

    o MEU blog principal é http://jonifast.blogspot.com/ embora o texto de sua autoria, sobre a Teoria da Forma, tenha sido publicado num outro, http://opificis3.blogspot.com/, dedicado aos meus alunos de Oficina de Artes.
    Obrigada pela resposta

    • Celso Caires said, on 5 de Novembro de 2010 at 3:59

      Disponha! Felicidades para o si e para o seu trabalho.


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