desenho e design

A organização visual segundo a perspectiva gestáltica (Imagens em falta)

A organização visual segundo a perspectiva gestáltica

A psicologia gestáltica separa a presentação e a percepção numa informação a duas dimensões, segundo o que é designado por Princípios de Grupo. Os princípios de grupo auxiliam artistas e designers na compreensão do modo como o ser humano percepciona o campo visual. Embora cada um destes princípios foque parcialmente a problemática de uma imagem e o conjunto que a representa seja sempre superior à soma das partes em questão, a ideia é a de especializar o estudo dessas duas realidades: forma e visão. Na prática existe uma diferença hierárquica entre a parte e o todo, entre forma e campo. Os padrões constituídos por módulos, têm supremacia absoluta sobre esses componentes singulares – a força do grupo ultrapassa a soma das parcelas

A forma não é lida como um conjunto de pontos circulares, mas sim, como figuração de uma seta

Forma e campo – Duas ideias inseparáveis a propósito das estratégias de comunicação visual. O campo visual é referido por Wucius Wong como quadro de referência. Introduz-se a noção de quadro arbitrário que existe em torno de tudo, de modo a providenciar um contexto focalizado na percepção. A figura seguinte é um exemplo clássico que demonstra a relação entre forma e campo, figura e fundo, segundo um equilíbrio que cria um foco ambíguo de atenção. Não podemos ver simultaneamente as figuras , mas oscilamos a nossa atenção sobre uma e outra. A imagem seguinte exemplifica um conceito muito útil do ponto de vista operativo, demonstrando-se a ideia de interrupção, enquanto factor essencial à percepção e à dinâmica do discurso visual.

Ambiguidade e Interrupção do campo visual.

Interrupção – A percepção de que algo quebra a continuidade do campo visual, e, em consequência atrai a nossa atenção. A interrupção pode ser considerada essencialmente como um princípio activo inerente à percepção do campo visual e está sempre presente na organização dos elementos gráfico visuais.

Outros princípios determinantes na abordagem gestáltica do campo e da forma, foram definidos a partir das relações entre elementos, como a proximidade, a similaridade, a continuidade e a configuração gestáltica. Estes princípios constituem uma chave mestra na organização dos elementos visuais e na definição do nível de pregnância visual a atribuir a cada elemento que constituí o conjunto formal. Por outro lado, a organização hierárquica da percepção é um factor que prevalece entre as relações anteriormente apontadas. A proximidade entre as formas aumenta a percepção de forma grupal. Digamos que as distâncias que separam esses elementos uns dos outros, reduzem ou aumentam a importância do elemento relativamente à leitura do grupo em que está graficamente inserido. Além desta variabilidade, o observador atribuí maior importância aos elementos mais próximos e semelhantes. Em termos perceptivos a semelhança apresenta maior importância face à proximidade. Elementos sequencialmente organizados apresentam ou sugerem a ideia de continuidade, que por si só ganha precedência sobre os princípios de similaridade e proximidade.

Proximidade – O cérebro organiza a informação agrupando-a e estabelecendo padrões de identificação referencial. O nível de proximidade entre os elementos é uma característica que favorece directamente esse modo de funcionamento. Por razões de eficiência neuronal, quando o cérebro lê uma imagem, desempenha simultaneamente funções de leitura e de interpretação. Quando o cérebro determina a existência de proximidade entre os objectos, predomina alguma adivinhação. Avaliado o primeiro elemento salta para a configuração grupal, cujo preenchimento em termos de informação é executado por dedução.

A proximidade dos pontos origina a percepção de linhas, colunas ou de uma distribuição mais homógenea. Aproximando ou afastando os elementos formam-se sub-grupos onde prevalecem a continuidade e a padronização, com maior ou menor ambiguidade.

A proximidade entre as formas adiciona peso visual à organização favorecendo a importância do conjunto de elementos com mais proximidade interna.

Similaridade – O cérebro selecciona os objectos com base na similaridade, independentemente de partilharem níveis diferentes de proximidade. A semelhança visual baseada na configuração, cor e, ou textura cria um efeito agregador. Formas com atributos idênticos parecem agrupadas só pelo facto de serem similares.

O reconhecimento da existência de similaridade entre os quadrados cinzentos agrupa-os por oposição aos quadrados pretos. Neste caso a similaridade é uma propriedade hierarquicamente mais importante do que a proximidade relativa entre os elementos. Digamos que o cérebro forma conjuntos formais baseados na identidade dos elementos, excluindo aqueles que lhe devolvem uma leitura díspar

Continuidade – Princípio que favorece a orientação controlada da visão. É uma nota dominante do instinto humano seguir visualmente um percurso linear. Essa linha pode ser explícita (literal) ou implícita (imaginária). Wucius Wong considera este tipo de ocorrências como um resultado directo da presença do elemento conceptual – linha. A nossa capacidade instintiva em imaginar imagens no céu estrelado é um exemplo do uso permanente da continuidade.

As constelações são exemplo da propriedade de continuidade visual.

Configuração/ fecho gestáltico – O ser humano tem uma necessidade inata em concluir do ponto de vista cerebral as descontinuidades formais, completando mentalmente interrupções de configuração. Esta realidade, reconhecido por Koffha (1935), defende que uma “forma pregnante”, ou uma construção conceptual boa, é um resultado gestáltico. Em princípio, quem segue esta linha de pensamento estará habilitado para ler as percepções incompletas, na medida em que as novas percepções e sobretudo as novas cognições confrontam-se com a experiência e os conhecimentos prévios. A partir desta base, a configuração é um elemento quiçá incompleto, mas estimulador da leitura, que deve completar-se mediante as leis da lógica, da experiência acumulada e da expectativa intuitiva. Visualmente uma forma fechada não estimula a mente e a imaginação, enquanto uma forma aberta surge como centro de interesse e exploração para o observador, ou, se quisermos analisar esta questão de outro ponto de vista: porque se oferece enigmaticamente, como um problema à espera de solução.

Como no primeiro caso em que o observador vê um quadrado, embora a sua presença permaneça implícita ou sugerida por via dos quatro círculos explícitos. Em ambos os exemplos, a nossa necessidade em completar a imagem domina sobre a leitura pontual dos elementos apresentados.

Vertical e Horizontal. De Pé e Deitado – Posições de referência a considerar relativamente à orientação base dos elementos que se apresentam no nosso campo visual. Estamos habituados a operar instintivamente a partir dessa axiologia base (a cruz, o diedro), que relaciona a presença das formas segundo o ângulo recto e mesmo a partir de subdivisões de 45º. Posições que não correspondam a esta norma originam um maior índice de incerteza perceptiva. Se o desvio axiológico é muitas vezes desconcertante, também é verdadeiro, que este possa ser utilizado para criar maior ênfase sobre zonas a que se pretende atribuir maior atenção.

O ser humano baseia as suas expectativas de decifração perceptiva a partir da relação vertical / horizontal. Tudo o que vemos é analisado a partir dessa realidade. Tudo o que não se enquadre nessa expectativa pode criar uma maior ênfase perceptiva.

Há uma relação de simbiose entre o equilíbrio e a simetria. A simetria pode compensar a falta de equilíbrio.

Espaço Positivo e Negativo – Não é propriamente um princípio, mas uma propriedade. Enquanto realidade intrínseca ao próprio campo visual, os estudantes devem compreender que as formas ocupam espaço – espaço positivo, e o que resta em torno dessas é considerado espaço negativo.

Repetição, Ritmo e Padrão – Segundo Larkin, repetição, ritmo e padrão são princípios de organização que se complementam mutuamente. A repetição é um exemplo do agrupamento de formas similares com o intuito de satisfazer a necessidade em demonstrar e perceber sentidos de ordem e grupo numa dada realidade visual. A repetição é visualmente tanto mais poderosa quanto menores forem as variações de dimensão, configuração, textura e cor. O recurso ao ritmo depende grandemente de talento que providencia a ordem na diversidade. O padrão é a expressão de um ritmo ao longo de uma continuidade espacial.

Repetição, ritmo e padrão

Direcção – O conceito de direcção reporta-se ao alinhamento horizontal ou vertical de uma forma relativamente ao quadro. Embora semelhante ao princípio da continuidade, o modo deliberado com que é aplicada, pressupõe alguma expectativa na manipulação do horizonte visual do observador com a intenção de criar enfâse e atenção sobre zonas de uma organização visual. O uso da direcção torna-se mais efectivo quando se aplica segundo a lógica da leitura visual, associado à estrutura do varrimento do campo visual, enquanto método operativo essencial (da esquerda para a direita e de cima para baixo), de acordo com os hábitos culturais de leitura. Contudo, violar as expectativas dessa lógica poderá ser útil, conduzindo o observador para um determinado mas inesperado local do campo visual.

Valor – É o nível relativo de explicitação formal em termos tonais que suporta a percepção de uma entidade, enquanto elemento notado e focado. O valor depende da relação de vizinhança tonal entre as diversas formas que ocupam positivamente o campo visual. Quanto maior a oposição ou complementaridade entre a forma e o espaço negativo, maior será o valor relativo. Em termos absolutos, o valor traduz-se segundo uma escala percentual de 0 a 100, segundo o nível de reflexão luminosa, ou de 100 a 0 segundo a gama de densidades. O recurso à manipulação do valor ou gama tonal permite regular a importância visual das formas, independentemente das suas características visuais de configuração, cor, textura e dimensão.

Gama Tonal e Valores. Mais à direita o círculo de menor dimensão domina sobre os restantes, devido ao seu maior valor relativo.

Perspectiva – Wucius Wong refere a perspectiva como um caso notável de distorção planar regulada por um sistema codificado. As formas em perspectiva mimetizam uma relação dinâmica de movimento entre o observador e o quadro visual, construindo uma aproximação à realidade do universo espacial. A tangibilidade de tal relação com o mundo tridimensional implica efectivamente a percepção da profundidade, que instintivamente deflagra a sensação natural de percurso e movimento. O nível da descodificação necessária a essa leitura pressupõe alguma literacia visual, não sendo a interpretação dos conjuntos em perspectiva um resultado inato . No entanto, apesar da perspectiva contar com a necessidade de algum empenho intelectual na sua construção, a ideia de profundidade no quadro visual é alimentada essencialmente pela variação das dimensões relativas entre as formas similares.

Um quadrado e a sua distorção ou a perspectiva de um quadrado. A variação dos quadrados ao longo do campo visual introduz a percepção de distância. A perspectiva será, neste caso, a intelecção do sistema construtivo que organiza e explica a matriz apresentada.

Uma resposta

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  1. Catharina said, on 16 de Outubro de 2011 at 22:22

    Obrigada.Tbm adorei, está me ajudando muito não tive isso na faculdade e to correndo atras agora.


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